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Falta de profissionais qualificados acirra concorrência entre empresas do setor de TI
O setor de tecnologia brasileiro vai continuar com crescimento acelerado nos próximos anos, segundo a consultoria de recrutamento PageGroup Brasil, o que deve acarretar em aumento de vagas abertas. Hoje, já são 250 mil oportunidades não preenchidas, um número que deve triplicar até 2020, de acordo com a International Data Corporation — IDC. O Brasil …

Falta de profissionais qualificados acirra concorrência entre empresas do setor de TI

Publicado: 02.07.2019 - 19:24, por eCompare.com.br

O setor de tecnologia brasileiro vai continuar com crescimento acelerado nos próximos anos, segundo a consultoria de recrutamento PageGroup Brasil, o que deve acarretar em aumento de vagas abertas. Hoje, já são 250 mil oportunidades não preenchidas, um número que deve triplicar até 2020, de acordo com a International Data Corporation — IDC. O Brasil …

O setor de tecnologia brasileiro vai continuar com crescimento acelerado nos próximos anos, segundo a consultoria de recrutamento PageGroup Brasil, o que deve acarretar em aumento de vagas abertas. Hoje, já são 250 mil oportunidades não preenchidas, um número que deve triplicar até 2020, de acordo com a International Data Corporation — IDC. O Brasil tem 12 milhões de desempregados, mas falta mão-de-obra qualificada, um problema que tem acirrado a concorrência das empresas de tecnologia pelos talentos existentes, comprometendo os resultados.

“As empresas querem recrutar os profissionais mais qualificados, que estão inseridos há mais tempo no mercado e sabem como o setor funciona. Isso faz com que a rotatividade seja grande”, explica, Eduardo Varela, CEO da Codenation, startup que surgiu em 2017 buscando amenizar o problema da falta de qualificação. A Codenation prepara profissionais para o mercado de trabalho por meio de programas de capacitação oferecidos em parceria com as empresas de tecnologia. A startup iniciou suas operações com a aceleração de desenvolvedores para Neoway, Resultados Digitais e Loadsmart.

Depois de iniciar uma nova rodada de contratações no ano passado, o Agendor — plataforma de gestão comercial e CRM (gestão de relacionamento com clientes) — prevê chegar ao fim de 2019 com 30 funcionários. Diante da perspectiva de crescimento de 40% na equipe, a empresa já começou a buscar profissionais. Os programadores costumam ser as funções mais disputadas — e as vagas que levam mais tempo para ser preenchidas, principalmente no nível sênior. “Precisamos ir ativamente atrás dos melhores porque eles, em geral, estão empregados. Para atraí-los, proporcionamos um nível de autonomia elevado e um ambiente desafiador”, diz Tulio Monte Azul, diretor de tecnologia do Agendor.

Algumas ferramentas foram testadas pela empresa em 2018, como a seleção por meio de agências de recrutamento. Os melhores resultados, no entanto, foram obtidos a partir de indicações e da gestão interna dos processos seletivos. O prazo médio de contratação nos processos realizados internamente ficou próximo de 60 dias, contra mais de 90 dias quando agências de recrutamento estavam envolvidas. Neste ano, pensando em tornar o Agendor uma marca empregadora forte, a empresa estuda participar da certificação Great Place to Work (GPTW), que reconhece as melhores empresas para se trabalhar. Outra meta é conseguir concluir os processos seletivos em até 45 dias.

Treinamento em casa – Localizada em Timbó, no interior de Santa Catarina, a Telecom Unifique precisa investir na formação de seus colaboradores para garantir profissionais qualificados, já que a oferta na região é ainda menor do que nas grandes cidades. Por outro lado, como o número de empresas com base tecnológica também é menor, a Telecom tem a vantagem de não ter concorrência direta. Assim, ela sofre menos com a abordagem de outras organizações a seus profissionais, reduzindo a rotatividade. A Unifique atua como um provedor de banda larga fixa e também oferece serviços de TV por assinatura, telefonia digital e data center corporativo.

A empresa tem cerca de 700 colaboradores, entre diretos e indiretos. Segundo Cátia Calliari, gerente de desenvolvimento humano e organizacional, o maior desafio está no preenchimento das vagas mais técnicas e específicas do setor de telecomunicações. Quando não consegue suprir esta demanda com promoções internas, a empresa acaba tendo que buscar profissionais em outras regiões. Nessa hora, conta com a alta qualidade e o baixo custo de vida da cidade de Timbó, além do incentivo à ascensão na empresa. “Se eu tivesse que escolher o principal fator de retenção eu diria que são as oportunidades de crescimento que surgem internamente”, afirma Cátia.

Nascida em Brusque, a 100 km de Florianópolis, a Hiper formou sua equipe num pólo tradicionalmente têxtil. Mas não teve dificuldades em prosperar desenvolvendo um produto que mira o mercado nacional, e não regional. Desenvolvedora de soluções para gestão e vendas do micro e pequeno varejo, a Hiper é uma empresa Linx. O time inicial que contava com os três sócios fundadores, agora tem mais de 120 colaboradores. “Estar longe da capital do estado impacta, mas nunca foi um problema. Temos orgulho do time que desenvolvemos com pessoas locais e de todo o Brasil. Aqui eu trabalho com desenvolvedores do AM, MG, RS, CE, é um espaço sem fronteiras”, diz Jenifer Moritz, gestora de talentos.

Para Moritz, o maior desafio da Hiper no momento é encontrar não só pessoas qualificadas para os cargos, mas com afinidade com a cultura da empresa. “Avaliamos os dois fatores com o mesmo peso. Em alguns momentos a personalidade é até mais importante do que a qualificação técnica. Se a pessoa quer aprender, se desenvolver, não precisa chegar sabendo tudo”, finaliza. No momento a empresa, certificada com o selo GPTW, conta com sete vagas abertas, para diferentes funções.

120 vagas abertas – Uma das maiores desenvolvedoras de software para gestão do Brasil, a Softplan busca constantemente por talentos. Para Edson Tadayoshi Honma, Diretor de Desenvolvimento Humano e Organizacional, é difícil encontrar em Florianópolis, sede da empresa, os profissionais capacitados. “Hoje, quando contratamos pessoas, 80% delas são de fora de Florianópolis. Há 6 meses ou 1 ano, 60% eram daqui. Por isso, estamos aumentando alcance no país todo, contratando em estados como SP, RJ, MG e nas regiões Norte e Nordeste, além de estimular programas de estágio e novos talentos, para formar a mão-de-obra de que precisamos”, afirma.

Atualmente, a Softplan possui 1,8 mil funcionários. Do total, 1,1 mil estão na sede, em Florianópolis; outros 350 em São Paulo; os demais, em outras regiões brasileiras. No último ano, a Softplan contratou 650 pessoas; em 2017, foram 540. A companhia ocupa o 19º lugar na categoria Grandes Empresas para trabalhar no setor de TI, dado revelado na 13ª edição do ranking elaborado pela GPTW, realizado em 2018. A cultura organizacional da empresa, com ares de startup e a experiência de 28 anos no mercado, mescla profissionais com diversidade de perfis. Hoje, cerca de 120 vagas continuam abertas, especialmente na área técnica, para desenvolvimento de softwares.